quarta-feira, 11 de maio de 2011

122 dias

"Não era só estar ali que importava, mas também ter chegado do meu jeito. A viagem é mais importante que o destino, sempre."
(Fábio Magnani)

terça-feira, 10 de maio de 2011

123 dias (xiiii... estava contando errado)

Na verdade eu estava era equivocado na data prevista para saída pois o certo mesmo é sair no sábado, dia 10/09/2011 (veja que nesta nova planilha já atualizei os horários).

Efetuei alguns ajustes na planilha roteiro... acertei uns detalhes dos primeiros dias. Amanhã acerto mais outras coisas.

Percebo que meu parceiro de viagem e eu estamos mesmo em sintonia: ontem à noite, ele na casa dele e eu na plataforma, sem termos conversado nos últimos dias, entramos os dois no site da Polícia Federal para agendarmos a entrega de documentação para o passaporte. Ele me passou um email às 20:40h dizendo que tinha feito e me dando a dica. Às 20:40h eu concluía o meu agendamento e iniciava o da Lu.

Hoje ouvi de um colega uma frase que, segundo ele é do ex presidente da Petrobras, Sr. Eduardo Dutra: "eu sei prá onde quero ir e tenho o mapa". Estou indo...



segunda-feira, 9 de maio de 2011

125 dias

Desde ontem me decidi que agora é planejar e me preparar. Quem quiser e puder ir conosco que se junte a nós, e quem não puder ou não quiser... paciência. Está muito próximo prá ainda ficarmos levantando alternativas... agora: ou vai ou racha!!!

Agendei a entrega de documentos para emissão de passaporte (meu e da minha esposa) para 27/05. Dica: se tiver difícil em sua localidade faça como eu: agenda em Cachoeiro do Itapemirim-ES... é tranquilo.

Planejar é fácil... sair de fato é bem mais difícil. Viajar todos estes dias será prazeroso... chegar de volta... será tudo.

domingo, 8 de maio de 2011

Andar de moto é especial

Já citei aqui alguns trechos de um blog que muito tem me inspirado (http://blog.fabiomagnani.com). O que mais me impressiona é o quanto me parece familiar o que o cara escreve sobre motos, sobre o gosto de andar de moto, sobre o gosto pelas estradas, pelo caminho.

Ele é, antes de tudo, um estudioso que se aprofundou em conhecer os sentimentos que envolvem um motociclista, motoqueiro... ah, não importa o adjetivo (tem gente que não aceita ser chamado de “motoqueiro”). 


Ele conta que quando decidiu possuir uma moto, não conhecendo ninguém que tivesse uma, resolveu ler livros a respeito. Leu duas publicações estrangeiras: uma sobre pilotagem e outra sobre manutenção. Mas o que chamou sua atenção foi que o ponto comum e marcante nos dois casos não era a técnica, mas sim que
os dois autores gostavam de lavar a moto nos sábados e dar uma voltinha de 400 milhas no domingo pela manhã, sem necessariamente ir a lugares bonitos, sem comer, sem nada demais. Só pela estrada
Outro ponto comum? Nenhum deles era um profissional do motociclismo. Eram amadores mesmo.

Agora tem um trecho que é minha cara, sem acrescentar nem tirar, pois retrata fielmente meu gosto e impressão sobre motos:


“Mesmo com o passar do tempo, com a chegada dos amigos reais, com a compra da moto real; para mim, essa estória toda de andar de moto sempre foi pela mesma razão, que é a que segue. Um carinha qualquer sem habilidade nenhuma acorda pela manhã, liga a sua moto e fica 6-8-10-12 horas em sua moto. Quando volta para casa não tem muito que contar sobre onde parou, o que comeu e o que conheceu. E dentro da sua cabeça só um pensamento: 

eu daria tudo para estender 1000 vezes esse dia, para acordar todos os dias fazendo exatamente a mesma coisa.
Só isso! Não consigo entender o gosto pelas grandes velocidades, não consigo entender o gosto pelos motoencontros, não consigo entender o gosto por visitar pontos turísticos. Não estou criticando quem gosta não! Só não entendo. Entendo apenas o que é tentar atingir a harmonia em cima de uma moto. Só isso!

Quando alguém compara a tecnologia, a potência, o peso, o tamanho e a utilidade de um Uno Mille e de uma XT660, fica abismado como podem custar a mesma coisa. Como pode uma moto mirrada daquela – que só tem o motor e mais nada – custar a mesma coisa que um carro que te protege da chuva, do vento, do sol, de batidas, de assaltos, leva 4 pessoas, transporta compras etc? Mas, quando outra pessoa vê a sensação de liberdade, a aceleração, o prazer e o estilo, então, ao contrário, fica abismado 

como um carro tão sem graça pode custar tanto quanto uma maravilha em duas rodas que pode ser a expressão de uma vida. 
Eu posso ser bobo mas, por pior que seja do ponto de vista financeiro, eu não consigo achar alto o preço da moto. Quando eu fico imaginando como a minha vida seria sem graça com um carro, acho que a moto custa é pouco!

Pode até ser coisa de maluco, mas eu tenho o costume de conversar com a minha moto durante as viagens. Conversa mesmo, nos dois sentidos! Bem, ouvir a moto acho que é até natural. Todo motociclista fica prestando atenção no que a moto está dizendo. Se está com alguma peça batendo, se está com o motor engasgando ou com um ronco diferente. Mas, além de ouvir, eu também falo com ela. Converso sobre o nosso destino do dia, mostro algum lugar bonito no horizonte, conto uma história sem importância e até dou um tapinha no tanque dela depois que conseguimos passar por algum desafio. Dependendo do dia, até faço uma cantoria para ela. Um psicanalista diria que estou fazendo uma projeção (ou seria uma transferência?), que no fundo eu estou falando com o meu eu interior. Um lógico diria que estou sendo irracional, pois a motocicleta não tem sensores de som. Um religioso diria que estou falando com algum deus da ordem, pedindo proteção contra o caos. Talvez o motociclismo seja a procura da união da ordem (projeto mecânico) e do caos (a vida com seus riscos e acasos). Não o domínio de um sobre o outro, mas a união mesmo. E eu, que não vejo as quebras como eventos necessariamente ruins e também não tenho nada contra o caos ou a ordem, não teria nada a pedir. Só vou conversando mesmo, como se fosse uma velha amiga…

É claro que andar de moto tem um lado bom e outro ruim. Se fosse só bom, todos andariam; se fosse só ruim, não venderiam nem uma moto sequer. O lado ruim é fácil falar. Todo motociclista ouve a lista todos os dias: a moto é perigosa, barulhenta, de baixo poder de revenda, fácil de ser roubada, pouca capacidade de carga, traz consigo o estigma da marginalidade e inevitavelmente suja os seus passageiros. Concordo com tudo. Mas a questão é que as vantagens superam os pontos negativos. O ponto mais fácil de rebater é esse negócio de que você se suja muito quando anda de moto. Ou então, que tem que ficar colocando e tirando a capa toda vez que muda o clima. 

Andar de moto é como fazer amor: você tem que tirar a roupa para depois colocar de novo, fica todo suado, cansado e sujo. Mas vale a pena!
 
Mas agora falando sério – bem, eu estava falando sério antes sobre fazer amor -, não tenho a intenção de proselitismo. Sei muito bem que para algumas pessoas não vale a pena andar de moto. Não quero convencer ninguém. Só quero dizer porque eu ando de moto. A razão mais pragmática da moto é a acessibilidade. Você estaciona em qualquer lugar, anda na terra, em buracos e no meio do trânsito. Vai para lugares onde os carros não vão. Vai até pertinho do mar, sobe em montanhas e entra no quintal das pessoas para tomar água. Mas acho que há coisas bem mais importantes que isso. No silêncio do seu capacete, você fica em contato com o seu mundo interior. Sozinho na estrada, tornado irreconhecível pela vestimenta, não há nada a provar para ninguém. Você pode rir sozinho, cantar desafinado, pensar nas mais loucas fantasias ou, acima de tudo, aprender a conviver com você. Lá não há como se proteger de você mesmo usando estímulos externos como a TV, a companhia de outras pessoas ou o trabalho incessante. É você e você, goste do que está vendo ou não!

 
Paradoxalmente, a moto é o local onde você também tem um contato muito forte com o mundo externo. Mas não o mundo artificial da sociedade, com suas cobranças e expectativas. 

O piloto tem contato com o vento, os raios solares, a visão do horizonte, o cheiro do mato, o calor do asfalto, com as forças da gravidade e da inércia. Essa experiência direta com o mundo real, junto com o contato com o eu verdadeiro, é que faz com que a experiência de andar de moto seja viciante. 
O que pode ser perigoso. Andar de moto não deve ser usado para escapar do mundo do dia-a-dia. Andar de moto tem que ser um aprendizado para mudar o mundo. Isso tanto através do autoconhecimento, quanto da visão do mundo real, sem os filtros sociais.”

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sábado, 7 de maio de 2011

127 dias

Como já disse antes, planejo e sonho com esta viagem desde o ano de 2001. Já foi adiada por causa de uma parada de produção na unidade em que eu trabalhava... depois pelo projeto P-43... pelo filho que nascera. Agora, decisão tomada, intenções reavivadas e um pensamento fixo: REALIZAR.

Nas rodas de amigo ainda surge muita incredulidade... desconfiam de que a "viagem" não vai acontecer. É possível, mas definitivamente estamos determinados a partir e isso é o mais importante. Alguns amigos entretanto, antes descrentes de tudo, já começam a pensar na possibilidade de "ficarem prá trás" e isso os tem despertado.Hoje ainda somos apenas dois confirmados: eu e Romolo.  Ou melhor: somos cinco. Eu e minha esposa de moto, e Romolo com esposa e filha, de carro.

Definição do grupo:

Mestre Grima: tá enamorado com a expedição... torço prá que ele estufe logo o peito e diga: "vou"! (se for, vai de carro com a esposa, mas pensa em levar a motoka prá dar "umas voltas")
José Carlos: este está sempre com o peito estufado dizendo: "claro que vou", mas... rsrsrs. (se for, vai de carro com a esposa)
José Valdir: ainda tenho que falar com ele sobre o andamento das coisas... vamos ver como vai se posicionar. Mas pelo menos o churrasco em Maringá já faz parte do roteiro. (se for, vai de carro com a esposa e filha, mas tá louco prá levar também uma moto)
João Vieira: ele estava decidido a fazer esta viagem mas não tem demonstrado muita animação... vamos lá Vieira, ânimo!!! (se for, vai de moto)
Raphael: comprou agora um apê e está descapitalizado. Ô Raphael, tá todo mundo assim também... junta aí uma mereca e "vaunsimbora". (se for, vai de moto)
Hugo: o cara foi o último a chegar mas veio com gás... nos animou mais e acabou contagiado também. (se for, vai de carro com a esposa)

Sei que tantas coisas podem nos levar a querer e não poder, e nos momentos mais diversos. Por isso tenho consciência de que o grupo só vai mesmo ser definido na reta final. Fico na expectativa e torcendo prá que estes colegas possam participar conosco. Se eu pudesse colocaria mais uma moto na estrada e levaria pelo menos uma de meus filhos... quem sabe numa próxima?

Estamos acertando algumas premissas para a viagem para que tudo transcorra da melhor forma possível:
- Sair sempre o mais cedo possível (sem atrasos) para podermos rodar a média de 500 a 600 km chegando ainda no meio da tarde ao destino. Penso em algo como 07:30h.
- Não pilotar/dirigir à noite de forma alguma, exceto se em algum momento isso for absolutamente indispensável
- Caso algum de nós tenha algum contratempo na viagem e tenha que voltar antes, não deve haver qualquer constrangimento da parte do(s) outro(s) em prosseguirem a viagem.
- Não haverá compromisso de comer nos mesmos lugares, de dormir nos mesmos hotéis, nem mesmo de realizarmos os mesmos passeios. A idéia é não desenvolver qualquer tipo de animosidade causado por divergências desta natureza, e permitir que todos se sintam a vontade prá fazer o que lhes causar mais satisfação. Claro que quando os interesses coincidirem será ainda melhor.

Uma coisa que ainda precisamos conversar mais é sobre os interesses. O roteiro abaixo é proposta minha, prá ser avaliado pelos demais. O importante prá mim é curtir o caminho, não o destino. Meu objetivo é o trajeto, e dele fazem parte o Atacama, Machu Picchu, etc. Quero fincar bandeiras... "alcancei este lugar"!! Se for prá curtir bastante um lugar precisaríamos de mais de dois meses.

Lendo um blog na internet, de um camarada que saiu de Pernambuco para o Atacama, encontrei algumas coisas bem legais. Vejam este breve relato em sua saída:
"No final das contas, a verdade é mesmo o que todos dizem por aí. Os imprevistos é que fazem a viagem. O destino é a própria viagem. Não importa muito para onde você vai, nem como. Não importa se tudo saiu como planejado ou se você acabou indo na direção oposta. Talvez tenha até ficado parado. O importante é quem você conhece, para onde os caminhos errados te levam, o que se aprende, o que se esquece e o que se sente.
Se tudo deu certo, acabei de sair há alguns minutos rumo ao Atacama. Penso em ficar 42 dias na estrada, rodando mais de 17.000 km com minha moto.
Agora, onde a viagem realmente me levará? Ninguém sabe.
A moto vai quebrar 100m depois da saída? Vai ocorrer algum acidente? Vou me perder? Serei impedido de continuar a viagem por falta de algum documento? Uma guerra? Invasão alienígena? Ninguém sabe.
Serão os melhores momentos da minha vida? Vou finalmente compreender o sentido de tudo? Vou conhecer o lugar mais bonito do mundo? Ninguém sabe.
O mais maluco é que esse não saber é que é o mais gostoso…
Até mais!"


Alguns relatos inspiradores, durante a aventura: 
"... em vários momentos fiquei bastante emocionado dentro de meu capacete. Em outros momentos parece que falta o ar. Pensei que fosse efeito da altitude mas depois percebi que as vezes ficamos tão entretidos com alguma paisagem exuberante que simplesmente esquecemos de respirar...".

E uns trechos engraçados: 
"...Nesta viagem nos vimos em vários lugares que nos deixavam sem palavras, como que suspensos no tempo. A primeira visão dos Andes, o banho no Pacífico e estar no meio do Atacama, só para dar alguns exemplos. O problema é que sempre – em algum momento – tínhamos que parar a contemplação e seguir a viagem. Se fôssemos mariquinhas, em uma dessas situações teríamos dito: “Que lugar fantástico. Pena que ficamos tão pouco tempo e já tenhamos que ir embora”. Além disso – se fôssemos mariquinhas -, no momento da despedida do local teríamos, talvez, até deixado correr uma lágrima. Mas como somos machos, toda vez que nos víamos na situação de ter que ir embora de um lugar que gostamos muito, dizíamos: “Vamos embora desta bosta!”. Pode não ser algo de classe para ser dito, mas é coisa de macho.
No sábado de manhã pegamos chuva na estrada. Tínhamos ainda 7 dias para chegar em Recife. Conheceríamos a Rio-Santos, o sul mineiro e pararíamos em alguma praia nordestina. Mas a saudade bateu mais forte. Olhamos um para o outro e falamos quase que em uníssono: “Vamos embora desta bosta!”..."

E prá encerrar, cito um trecho após a chegada:
"...Ficar 40 dias fazendo o que você mais gosta é de uma libertação quase que inexplicável. A vida fica extremamente simples. Você acorda e diz “oba, mais do mesmo!”. Quando acontece algum problema a sua mente se concentra apenas em como resolvê-lo para poder continuar a viagem. Nada de procurar culpados ou remoer os problemas. Quando você guarda a moto na garagem de algum hotel, vai dormir satisfeito da vida. Quero deixar essa experiência decantar em mim aos poucos. Quero que minha vida seja sempre assim, simples e com significado."

ROTEIRO:

É bem provável que o roteiro sofra algumas alterações. Pensamos agora em ir pelo Atacama, passar por Machu Picchu e retornar pela Rodovia Interoceânica, entrando pelo Acre. Serão de 23 a 25 dias... 11.200 km. Quem se habilita?

Deixaremos a região central da Argentina e Santiago (CH) para uma possível segunda edição da viagem, que poderia ser Expedição Patagônia, na qual faríamos este trecho descendo até a "Terra do Fogo", no extremo sul do continente, retornando pelo litoral argentino.