quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A viagem não acaba nunca...
Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória,
em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já,
ver na primavera o que se vira no verão,
ver de dia o que se viu de noite,
com o sol onde primeiramente a chuva caía,
ver a seara verde, o fruto maduro,
a pedra que mudou de lugar,
a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados,
para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem.
Sempre." 
Jose Saramago 





terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." 
Fernando Pessoa




sábado, 24 de dezembro de 2011

Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a percorreram antes de nós, o labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas que seguir a trilha do herói e lá, onde esperávamos encontrar um monstro, encontraremos um Deus; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o longe, viajaremos para o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos estar sozinhos, estaremos na companhia do mundo inteiro." 
Joseph Campbell







quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância...nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...mas não estará só!" 
Amyr Klink





terça-feira, 20 de dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os grandes homens e poetas são, em sua imensa maioria, eternos viajantes. Não viajantes comuns, mas exploradores. Uma verdadeira viagem tem que ter essa conotação: explorar, superar limites, desejar o novo.
VIAJAR, sob todos esses aspectos, tornou-se essencial para mim, para minha própria formação intelectual e espiritual. Foi o meio que utilizei para amadurecer e fortalecer meu espírito e para experimentar um tipo de felicidade que ainda não conhecia. De falar com propriedade das coisas que vi, que senti e que presenciei.
Creio que o verdadeiro encontro interior para alguns, como eu, precisa passar pela experiência do ir para longe e do voltar feliz para casa. Do desvendar o que existe além da montanha e do rio. Do experimentar diferentes sons, odores e temperaturas. Do contemplar o sol, a chuva ou as estrelas. Do conhecer pessoas simples e do aprender com elas.
Eu, após viajar muito de ônibus, de avião e automóvel, só consegui experimentar um contato profundo comigo mesmo depois que passei a viajar de motocicleta. Sabe-se lá o porquê, mas sempre tentei me justificar acreditando que pilotar uma moto por longos períodos de tempo gera um estado mental diferenciado. O corpo, em contato direto com o ambiente, parece estar sob as carícias da natureza. A mente relaxa, mas os reflexos ficam acesos e prontos para dar comandos rápidos aos membros. Em outra oportunidade cheguei a comparar esse estado psíquico ao que os antigos monges taoístas chamavam de “encontrar o silêncio no meio da tempestade”. É uma espécie de inebriamento que só acontece quando nos deslocamos em velocidade moderada. Quando se acelera com exagero as emoções são diferentes, decorrem da adrenalina, mas não se atinge essa condição espiritual.
Contudo, não advogo a tese de que a motocicleta é o melhor veículo para todos. Trata-se de uma constatação pessoal. Sei de outros viajantes que vivenciaram emoções idênticas dentro de um jipe, de um veleiro, sobre uma bicicleta ou simplesmente caminhando ou mochilando pelas estradas do mundo. Quem viaja está sempre construindo algo diferente para suas vidas. Está abrindo seu coração para novos sentimentos e amizades. Está descerrando a mente para novos conhecimentos, os olhos para novos cenários e horizontes.
Enfim, compartilhando sua alma com o planeta que o acolhe." 
Flávio Faria





domingo, 18 de dezembro de 2011

Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver." 
Amyr Klink





terça-feira, 13 de dezembro de 2011


É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos, nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver". 
Gabriel Garcia Marques 





sábado, 10 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tem gente que olha minhas fotos pelas estradas e pergunta: o que tem de especial aí??? Acho que só quem consegue ver é quem já esteve numa situação assim... numa moto, pelas estradas... ela (a estrada) é diferente, o vento é diferente, a chuva é diferente... a vida é diferente. É uma outra dimensão."
Elton Guedes 





sábado, 3 de dezembro de 2011


O destino inicial era Machu Picchu, mas a escolha de fazer um trajeto de volta totalmente diferente, e novo, foi estratégico.
Primeiro, porque na "volta", normalmente somos (todos nós) acometidos daquela sensação de já ter feito o que se tinha que fazer, e a ansiedade e impaciência começam a crescer, o que nos leva a uma condição de insegurança, pois tendemos a andar mais rápido e por mais tempo.
Todos nós temos limites e aprendi uma coisa na vida: quando se quer ousar, desafiar estes limites, vamos em direção a eles, o mais perto que pudermos chegar, até ultrapassá-los, quando possível.
Mas quando o que se quer é segurança, não é prudente nem sábio, se aproximar demais deles." 
Elton Guedes (saíndo de Cuzco rumo ao Acre)





sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Tanto tempo passei sonhando em chegar a Machu Picchu, e do meu modo: de moto!!!
Mas ali estávamos nós, satisfeitos e realizados, e de repente você se pergunta: e agora? Acabou!
É muito bom sonhar, fazer planos, almejar alguma coisa. Atingir os objetivos é gratificante, mas fica esta sensação dentro de nós mesmos, de que acabou. E o que mais haverá além do fim?
É preciso trabalhar bem com a mente para que a alegria da realização não seja ofuscada pela necessidade de, rapidamente, estabelecer novas metas, tocar a vida, com novos sonhos, novos desejos.
Essa é a arte de viver." 
Elton Guedes (saindo de Machu Picchu)





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Estávamos ali, no meio do nada, num cenário inóspito e inicialmente “sem graça”. Que beleza havia naquelas retas infindáveis e montanhas alaranjadas? Que beleza havia naquele cenário tão “pobre”? Mas a beleza estava muito além do que os olhos poderiam ver. Não tem como mensurar... não tem como descrever. É preciso estar lá pra entender como um lugar tão “feio” pode significar tanto, a ponto de se tornar tão bonito. Sim, olhar para aquele cenário e se sentir deslumbrado era o que mais nos surpreendia. Não fosse o fato de estarmos ali, jamais teríamos entendido.
É passando neste “fim de mundo”, tão longe de casa, tão desprovido daquele “conforto” disponível e desejado todos os dias, tido até como indispensável, é que a gente percebe o quanto é preciso tão pouca coisa pra se viver bem."  
Elton Guedes  (atravessando o Deserto do Atacama)