quarta-feira, 9 de novembro de 2011

12º Dia – Mejillones-CHI



San Pedro do Atacama x Mão do Deserto x Mejillones-CHI
Distância percorrida:
 499 km

Acordamos cedo e arrumamos as bagagens nas motos. Tomamos o desayuno e fomos tirar fotos com os companheiros Gaida, Paulo e Elaine, junto com as motos. Tiramos fotos também com a Kroo (será assim mesmo?) e sua irmã Jessica, ambas peruanas de Arequipa, que trabalham no Residencial Chiloe, onde ficamos, e foram sempre prestativas e simpáticas.

Elaine, Paulo, Gaida... e nós.
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Kroo

Jessica

Paulo, Kroo, Jessica, eu e Wellington

Mais uma chilena tirando onda


Tudo pronto para a partida ainda fui com a Lu até um caixa eletrônico e quando já estávamos saíndo parou um motociclista perguntando por “nafta”. Percebi um sotaque diferente e nem me dei conta que era uma Honda XRE300, apenas vi um adesivo da bandeira do Brasil na bolha e perguntei: “brasileiro?”. A resposta foi sim, e como seria complicado explicar como chegar ao posto, marquei no GPS e pedi que me acompanhasse.

Com o mineiro Dalton na saída 

O colega era o Dalton, mineiro (a placa da moto é de Betim) e estava viajando sozinho. Tinha vindo por outro caminho e estava retornando por ali. Sua moto estava com sérios problemas de rendimento e não parava ligada. Conversamos um pouco e tiramos algumas fotos. O levei até o Residencial Chiloe para apresentá-lo às meninas peruanas, que poderiam dar a ele um apoio em relação aos passeios que pretendia fazer. na verdade ele queria fazer os geisers e partir. Ficou super interessado em nos acompanhar até Machu Picchu mas tinha que estar de volta ao Brasil até o dia 17 (se não me engano) e assim seria complicado. Ele teve problemas também com um pneu furado e como eu tinha ainda uma bisnaga de vacina (Motoban), cedi a ele para que colocasse.





Pé na estrada… subimos rapidamente 1000 metros. Aquelas paisagens as quais já estávamos habituados. Muitas retas… Chegamos a Calama onde paramos para uma rápida alimentação. Abastecemos também as motos e seguimos. Nossa meta era chegar ao monumento La Mano del Desierto, a 75 km de Antofagasta, construída pelo escultor chileno Mario Irarrázabal e inaugurada em 1992.

Abastecimento e almoço em Calama-CHI

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Estávamos ali, no meio do nada, num cenário inóspito e inicialmente “sem graça”. Que beleza havia naquelas retas infindáveis e montanhas alaranjadas? Que beleza havia naquele cenário tão “pobre”? Mas a beleza estava muito além do que os olhos poderiam ver. Não tem como mensurar... não tem como descrever. É preciso estar lá pra entender como um lugar tão “feio” pode significar tanto, a ponto de se tornar tão bonito. Sim, olhar para aquele cenário e se sentir deslumbrado era o que mais nos surpreendia. Não fosse o fato de estarmos ali, jamais teríamos entendido.

É passando neste “fim de mundo”, tão longe de casa, tão desprovido daquele “conforto” disponível e desejado todos os dias e tido até como indispensável, é que a gente percebe o quanto é preciso tão pouca coisa pra se viver bem. 


Mais um povoado abandonado
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Fotos tiradas para trás
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Passamos pela entrada de Antofagasta e rumamos para a “Mão do Deserto”, o terceiro grande marco desta aventura. No momento em que a avistamos, ao longe, a alegria foi geral e a gritaria intensa.

Aponto para a "Mão do Deserto", do lado direito da rodovia

Vamos aproximando... mais uma vitória

Estamos chegando!!!

Pegamos a estradinha de chão, de cerca de 300 metros que leva até ela. Como eu já sabia, o vento ali é bem forte e já li vários relatos de motos que tombam enquanto se posa para as fotos. Nos prevenimos e procuramos uma posição estratégica, mas olha, o vento é forte mesmo, não dava pra largar as motos sozinhas pois certamente cairiam.

Foto histórica

Não dá prá soltar as motos
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Seguuuuuura!!!!

Tiramos fotos e mais fotos deste local, deste marco… deste momento, que ficará prá sempre em nossas lembranças. Uma emoção que inicialmente era só minha, mas mais uma vez eu percebo que agora, compartilho com eles.




Voltamos para Antofagasta, abastecendo num posto BR antes. Eu estava muito ansioso por ver o Pacífico pela primeira vez. Nada demais… certo… mas tinha um significado prá mim, desde o livro do Chardô, e eu esperei este momento por muito tempo. Uma nuvem bem carregada fez parecer que pegaríamos uma chuva na chegada, mas tal como já acontecera próximo à Salta, na Argentina, era só alarme falso. Contorna daqui e dali e eis que o Oceano Pacífico surge à nossa frente. Mais uma vez a emoção tomou conta… esta é a razão desta não ser uma viagem qualquer. Não se trata de turismo simplesmente… é um desafio próprio, uma meta estabelecida há anos, e a cada etapa vencida o prazer é muito grande.

Pela primeira vez a visão do Oceano Pacífico [VER NO MAPA]

Entramos em Antofagasta… que delícia!!!! Que saudade de civilização…rsrs. De cara a cidade caiu na graça de todos mas encontramos ali um sério problema: não havia hotel disponível. Rodamos mais de uma hora e nada. Todos lotados por conta das mineradoras. Impressionante… muitos hotéis mesmo, mas todos tomados. Também é incrível como se vê por aqui veículos 4×4. De todas as marcas e modelos… estão em toda parte… principalmnete na frente dos hotéis… rs. Aprenderíamos rapidamente que onde houvesse caminhonetes vermelhas... lotado!!!

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Não tivemos alternativa senão seguir para Melijjones, cidadezinha bem menor, que na verdade é um balneário, mas que já foi também atingido pelo boom das mineradoras. Quando já estávamos prá desistir a Lu encontrou o Hotel Paris, que só tinha um quarto disponível, com uma única cama de casal. O proprietário se recusava a aceitar que ficássemos os quatro ali mas ela insistiu, implorou… e ele deixou. Ufaaaa… que bom. Ele ainda nos arrumou um colchão e edredons. Despencamos todos de cansados.

Meu orgulho era reavivado pelas estradas

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